Reflexões para os educadores na escola e na família:
- Dado que as crianças não conseguem distinguir as suas
emoções do seu "eu", sempre que não aceitar ou tiver tendência para
minimizar as emoções do seu aluno/filho, estará a transmitir-lhe a mensagem de que
alguns dos seus sentimentos são vergonhosos ou inaceitáveis.
- Ao desaprovar o medo ou a raiva do seu aluno/filho, não só estará
a impedi-lo de viver esses sentimentos, como poderá estar a forçá-lo a
reprimi-los.
Ao contrário das emoções que são expressas livremente, as quais
tendem a desaparecer, sentimentos que são reprimidos tendem a ficar
"presos" dentro da criança, como que à procura de uma saída. Acabam
por sair cá fora de forma não modulada, por exemplo através de gestos
agressivos, tiques nervosos ou pesadelos durante o sono. Pelo contrário, ao
permitir que o seu aluno/filho se expresse livre-mente, estará a ensinar-lhe a aceitar
e a compreender que toda a gama de sentimentos é compreensível e parte
integrante do ser humano, mesmo que algumas ações devam ser limitadas.
Numa situação em que o seu aluno/filho se sinta em conflito, em
vez de censurá-lo ou atropelá-lo, poderá ajudá-lo de forma a ele traduzir em
palavras o que acha que sente e o que ele ainda tem dificuldades em nomear:
""Eu acho que te deves estar a sentir frustrado. Eu também sinto isso
às vezes quando não consigo fazer aquilo que quero... O que normalmente faço é
ver o lado positivo das coisas que acontecem!".
Deste modo, a criança
aprende a identificar sentimentos, sente-se compreendida e aceite e a crise
passa.
Algumas vantagens da LIBERDADE DE EXPRESSÃO:
- o seu aluno/filho vai aprender a aceitar as suas próprias
emoções e, por conseguinte, a ter maior capacidade de as regular. Isto é
fundamental para permitir-lhe resolver os seus próprios sentimentos e conseguir
seguir em frente.
- a criança aprende que a sua vida emocional não é perigosa
nem vergonhosa, mas sim universal e passível de ser gerida. Desta forma, ela
descobre que não está sozinha e aprende a aceitar-se tal como é, incluindo as
suas partes menos agradáveis.