
“Relação Pedagógica, Disciplina e Indisciplina na Aula”
de Maria Teresa Estrela
Edição/reimpressão: 2002
Páginas: 160
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-34102-0
Coleção: CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
Uma obra de referência que tive o privilégio de ler e que colaborou/colabora na minha reflexão sobre as pistas para a superação das situações perturbadoras
da aula e da eficácia do seu esforço diário. A autora, que foi minha
professora, propõe ao professor uma análise objetiva das situações pedagógicas
que o habilite a prevenir a indisciplina na aula.
Transcrevo algumas citações que parecem-me, particularmente,
interessantes:
«Ligando-se directamente à
autoridade do professor, os fenómenos de disciplina e indisciplina na aula
remetem directamente para o campo da relação pedagógica de que constituem
aspectos relevantes.» p.33
«Por isso, a compreensão dos
fenómenos de (in)disciplina não se pode desligar da relação triangular professor-aluno-saber,
relação que tantos autores têm sublinhado, e das variáveis políticas,
sociológicas, psicológicas, pedagógicas que a influenciam. Sem a construção de
uma relação positiva com o saber, a relação pedagógica perde muito da sua razão
de ser, ficando relegada para o plano de uma afectividade difusa, positiva ou
negativa. E, numa época em que caminhamos abertamente para uma sociedade de
informação, de livre acesso ao saber, o desafio da escola joga-se na capacidade
de redefinição de uma relação com o saber, que não acentue as desigualdades
sociais, através de novas formas relacionais que essa construção
inevitavelmente gerará. Caso contrário, correremos o risco de a escola se
transformar numa mera instância de socialização concorrente com outras
instâncias exteriores à escola, mas que não potencializará a mobilidade social
que ela é suposta promover. Sem esta reconstrução dos laços do aluno com o
saber, as escolas, como escreve Rochex (2001, o.347), ficariam reduzidas
"a estabelecimentos onde se visaria socializar e consolar os pobres
(Goffman, 1989) mais do que fornecer-lhes os instrumentos intelectuais da sua
emancipação, onde se tentaria responder a uma ausência ou perda do sentido das
aprendizagens e dos seus conteúdos pela promoção ou desenvolvimento de uma
sociabilidade e de uma conviviabilidade sem objecto.".» p. 77