António Damásio, neurologista
português, na obra "O sentimento de si" (2000:75), aponta duas funções biológicas
das emoções.
- A primeira “consiste na produção de uma reação específica para a
situação indutora”.
- A segunda função biológica, atribuída por Damásio, “é a
regulação do estado interno do organismo” (2000:75). Assim, e fazendo um
paralelismo com a definição de emoções de Arnold e Gasson, podemos reforçar o
facto de que as emoções são respostas a estímulos, internos ou externos, que
ajudam a regular a sobrevivência do ser humano.
Damásio (2000: 71) refere, ainda,
que “a palavra emoção traduz, em geral, à mente uma das seis emoções ditas
primárias ou universais: alegria, tristeza, medo, cólera, surpresa ou aversão.”
António Damásio (2000) defende que, quando pensamos,
pensamos com o corpo e com as emoções, o que o faz afirmar que não existe a
razão “pura”. Assume que o raciocínio não existiria sem emoções. Para comprovar
esta íntima ligação, o neurologista chama a atenção para o facto de as
estruturas cerebrais necessárias para desencadear uma emoção serem as mesmas
que se encontram envolvidas no desenvolvimento do raciocínio. Tal fator pode
ser comprovado na frase seguinte “a emoção faz parte integrante dos processos
de raciocínio e tomada de decisão, para o pior e para o melhor” (2000: 61).
Como tal, Damásio (2000) acredita que a razão não terá
qualquer benefício em funcionar sem o auxílio da emoção. As emoções, quando bem
dirigidas, poderão ser um grande sistema de apoio à razão, sem o qual podemos afirmar
que a razão não funcionará de forma eficaz.

Pesquisar em:
- Damásio, A. (2000). O Sentimento de Si – O Corpo, a Emoção e
a Neurobiologia da
Consciência. Mem Martins: Publicações Europa-América.
- Damásio, A. (2004). Em busca de Espinosa: prazer e dor na
ciência dos sentimentos. São Paulo: Companhia das Letras.