Da minha pesquisa infindável pelos meandros da Net, encontrei esta opinião de Mário Freire sobre a formação emocional dos professores que achei muito interessante e que aqui partilho.
A FORMAÇÃO EMOCIONAL DOS PROFESSORES
"Cada vez mais se vai tomando consciência da importância das
emoções para a qualidade de vida e saúde das pessoas e para o desenvolvimento
da sociedade. A realização pessoal e profissional estão delas dependentes. Por
isso, hoje, se fala em inteligência emocional e até já existem técnicas para
avaliar o nível dessa inteligência.
Usar os sentimentos para tomar decisões, saber esperar pelos
elogios quando se atingem os objectivos, permanecer optimista apesar das
contrariedades e obstáculos, conseguir acalmar sentimentos aflitivos de forma a
não interromper ou interferir no trabalho, eis algumas das características de
quem tem uma boa inteligência emocional.
Sendo este aspecto da personalidade humana tão importante na
vida de cada um, a escola não pode permanecer-lhe indiferente. Pelo contrário,
ela tem que incidir a sua atenção, a par da consideração pelas componentes
cognitivas do aluno, nos aspectos emocionais. Mas estes interessam, também, ao
professor. O modo como ele encara as suas emoções e as emoções dos alunos, os
comportamentos destes e a maneira de lhes fazer face, assim como a abordagem
que faz das matérias, tendo em consideração os referidos aspectos, interferem
significativamente no modo de realizar o ensino e, consequentemente, nos
efeitos que se produzem na aprendizagem. As muitas investigações efectuadas
neste domínio suportam o que se afirma.
Um analfabeto emocional é aquele que não reconhece os seus
estados emocionais, não sabendo lidar com eles de forma a melhor adaptar-se à
realidade. Ora, um professor só poderá exercer o seu mister de alfabetizador
emocional se, ele próprio, tiver consciência do modo como lida com as suas
emoções, especialmente as que são susceptíveis de lhe provocarem a frustração,
a ira, a melancolia, a ansiedade, o desespero…
Para isso, tentando adaptar as ideias de Goleman, o autor do
conceito de inteligência emocional, o professor teria, antes de mais, de
desenvolver a capacidade de reconhecer os seus sentimentos, interpretá-los
adequadamente, de modo a conduzir a sua vida de uma forma estável e
produtiva.
Depois, haveria que gerar a força para encarar com optimismo
a realidade que se lhe vai apresentando, implicando-se ainda mais nas tarefas
quando se lhe deparam situações difíceis.
Um terceiro aspecto nesta formação seria o de incentivar a
controlar os impulsos, a ansiedade, a ira…É este factor que condiciona o modo
como se descarrega o mau humor na pessoa-alvo, como se expressam e controlam as
emoções.
Finalmente, haveria que incentivar a capacidade para lidar
quer com as reacções emocionais dos outros, quer com as situações emocionais
desgastantes. Duas competências poderiam ajudar, no que se refere a este último
aspecto: a de se colocar na situação do outro, tentando compreendê-lo nos seus
sentimentos e a de se autocontrolar, resistindo aos impulsos, de ser capaz de
dizer não perante circunstâncias facilitadoras do sim, de poder adiar uma
recompensa imediata, de ser capaz de estar calado perante uma provocação gratuita…
Enfim, ensinar-se a ser emocionalmente inteligente, começa
por nós próprios tentarmos sê-lo."
Opinião de Mário Freire
Etiquetas: analfabeto emocional, formação emocional, professores